Não tem mais essa água toda, diz comitê do São Francisco

11 jun 2018

A água do Rio São Francisco chegou à Paraíba em março de 2017, depois da conclusão do eixo leste da transposição, e tirou do sufoco a segunda região mais populosa do estado que estava à beira de um colapso no abastecimento. Naquela época, cerca de 1 milhão de pessoas em Campina Grande e cidades vizinhas enfrentavam um rigoroso esquema de racionamento para manter os cerca de 5% de água restantes no Açude Epitácio Pessoa, na cidade de Boqueirão, onde também não chovia.

“Para mim foi com muita alegria e alívio que recebi a notícia da chegada da água a Campina Grande, pois o açude estava secando rapidamente e a água de Boqueirão não estava mais prestando para o consumo. Eu passei até a cozinhar com água mineral, mas graças a Deus a situação do açude melhorou”, disse a aposentada Marisete Vilar de Araújo, que mora no bairro do Centenário, em Campina, considerando o rio como um “milagre” que salvou a cidade da seca devastadora.

O que poucos sabem é que o rio precisa de R$ 30,8 bilhões para ser revitalizado e protegido da devastação, que o ameaça e coloca em risco o abastecimento de quase 20 milhões de pessoas, em mais de 500 cidades de seis estados. “Não tem mais essa água toda”, explicou o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBSH), Anivaldo de Miranda Pinto, durante entrevista coletiva do II Simpósio da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, que ocorreu entre os dias 3 e 6 de junho, em Aracaju (SE). Assista ao vídeo no topo desta reportagem.

Segundo ele, a falta de cuidados e um projeto de transposição questionável estão causando danos ao rio que corta 8% do território nacional e é responsável por 70% dos 3% de água doce disponíveis no Nordeste. “Não somos contra levar água para quem precisa, mas aquele projeto ficou ruim”, disse Anivaldo, ao criticar a forma como a transposição foi planejada e executada.

Quem recebe a água Além das cidades da bacia hidrográfica, a água alcança mais regiões por meio do projeto de integração. A transposição é composta por dois eixos principais (Leste e Norte), com extensão total de 477 quilômetros – o empreendimento é composto por estruturas como aquedutos, estações de bombeamento, túneis e reservatórios. A integração busca assegurar abastecimento de água a 12 milhões de pessoas, que vivem em 390 municípios dos estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

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