Carta que acusa papa de heresia intensifica ‘guerra santa’ na Igreja

13 maio 2019

A guerra entre conservadores e reformistas no Vaticano ganhou um novo capítulo com uma carta assinada por dezenas de acadêmicos que acusam o papa Francisco de heresia, um dos mais graves desvios no direito canônico da Igreja Católica.

 Recorrendo a uma acusação que remete à Santa Inquisição da Idade Média, os autores, católicos ultratradicionalistas, divulgaram o documento no final de abril com um objetivo claro, segundo contou à Folha o professor italiano Claudio Pierantoni, um dos 81 signatários: forçar a saída do pontífice do cargo.
A carta é a terceira de uma série produzida por acadêmicos católicos desde 2016 com críticas à atuação de Jorge Mario Bergoglio, mas até agora ela não foi endossada publicamente por nenhum cardeal ou bispo, nem mesmo pelos mais estridentes opositores.

A maioria das acusações de heresia se refere a um dos eventos mais polêmicos dos seis anos de pontificado de Francisco: o sínodo da família, realizado entre 2014 e 2015 para discutir mudanças na relação da Igreja, especialmente com os divorciados e os gays, abertura nunca digerida pela ala conservadora.

O documento “Amoris Laetitia”, fruto do encontro, sinalizou que seria possível comungar divorciados que se casaram novamente –desde que haja discernimento e uma preparação. À época, cardeais questionaram o teor do documento do papa sobre o sínodo.

Segundo vaticanistas, a oposição ao pontífice escancarada naquele encontro foi a mais clamorosa desde o concílio Vaticano 2º, realizado na primeira metade dos anos 1960 também para modernizar a igreja.

Divulgada pelo site católico dos EUA LifeSiteNews, porta-voz do conservadorismo clerical, a carta que acusa o pontífice de heresia reproduz declarações de Francisco para apontá-lo como um papa que “acredita que a atividade homossexual não é gravemente pecaminosa”, que não se opõe ao aborto e que aproximou o Vaticano de protestantes e muçulmanos.

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